Porto, 20 jan (EFE).- Considerado a maior estrela do futebol português e alvo do interesse de vários grandes clubes europeus, o atacante brasileiro Hulk se mostrou focado em voltar a fazer o Porto campeão neste ano e garantiu que sua melhor versão ainda está por vir.
Em entrevista à Agência Efe, o atacante deixou uma porta aberta sobre sua saída em um futuro próximo, definiu como prioridade consolidar sua presença na Seleção Brasileira e se declarou abertamente fã do jogo do Barcelona e de seu número 10, o argentino Lionel Messi.
"Com o que aprendi tenho a certeza que daqui pra frente as coisas serão inclusive melhores do que nos anos anteriores", afirmou o jogador do Porto, clube pelo qual já marcou 60 gols desde sua chegada à equipe em 2008.
Aos 25 anos, o atacante nascido em Campina Grande, no estado da Paraíba, tem uma trajetória pouco convencional que o levou a emigrar muito jovem para Portugal, retornar ao seu país natal e partir novamente para o Japão, onde despontou e foi contratado pelo Porto.
Seu apelido de Hulk é de infância, surgiu por imitar insistentemente o personagem de história em quadrinhos da editora Marvel, de quem tem semelhanças físicas.
"O Incrível", como também é chamado, compartilha com o super-herói a força (pesa 85 quilos e mede 1,80), à qual o jogador, canhoto, soma velocidade e um potente chute à distância que o transforma em um dos melhores cobradores de falta do mundo.
Ele lembra com carinho e orgulho de sua infância. "Como toda criança que sai de um bairro pobre, passei por dificuldades. Fui criado em uma família pobre, mas honesta", ressaltou o jogador, cuja forte religiosidade ficou clara durante a entrevista - agradeceu a Deus pela ajuda ao menos em dez ocasiões.
"Hoje estou feliz e quando olho para trás e lembro tudo que passei me vejo como um vencedor", admitiu.
Em plena adolescência, ele abandonou o Brasil para jogar no Vilanovense, um pequeno clube de Portugal. Não convenceu e retornou ao seu país, ao Esporte Clube Vitória. Em uma operação pouco comum, Hulk deixou o Brasil novamente para transferir-se ao Japão, aos 18 anos.
Lá jogou em três equipes e acabou encantando no Tokyo Verdy, da Segunda Divisão japonesa, onde foi 'artilheiro'.
Essa atuação fez o Porto pagar, quando ele tinha apenas 22 anos, 5,5 milhões de euros pela metade de seu passe, uma quantia astronômica e que foi considerada uma temeridade por muitos na época em Portugal.
O rendimento em campo, no entanto, parece ter compensado o investimento. Seu passe bateu recorde em Portugal. O Porto pagou 19 milhões de euros por 100% para ter seus direitos, cujo contrato com o clube tem cláusula de rescisão de 100 milhões de euros.
Hulk foi um dos principais artífices do êxito dos "dragões" no ano passado, quando formou com o colombiano Falcao uma dupla letal que levou a equipe a conquistar quatro dos cinco títulos em jogo, entre eles o Campeonato Português e a Liga Europa.
Para o atacante, atualmente no Departamento Médico por lesão, a saída de Falcao não justifica o menor rendimento durante este ano, no qual o Porto foi eliminado da Liga dos Campeões e da Copa de Portugal e está em segundo do Campeonato Português, a dois pontos do Benfica.
"Alguns jogos não foram bons, não por culpa de nenhum jogador concretamente, ninguém estava bem. Eu não dei o melhor de mim em alguns jogos e também tivemos um pouco de azar, parecia que a bola não queria entrar", detalhou.
Papel crucial em sua carreira teve seu primeiro treinador no Porto, o luso Jesualdo Ferreira, o responsável por polir seu estilo.
"Ele falava todos os dias comigo, apostou forte por mim e me ensinou muito do que eu sei hoje", afirmou.
Com seu compatriota Ronaldo Fenômeno como principal referência, Hulk destacou entre os jogadores atualmente na ativa o argentino Lionel Messi.
"Um jogador que admiro muito hoje, tanto dentro quanto fora do campo, é Messi, porque apesar de ser o melhor jogador do mundo não entra em polêmicas e é um craque que merece ser respeitado", elogiou.
Perguntado sobre que tipo de futebol prefere, o brasileiro falou sem rodeios no jogo do Barcelona, que poucos dias atrás demonstrou interesse em sua contratação.
O atacante, que tem como uma de suas principais metas a conquista de uma vaga para disputar a Copa do Mundo de Futebol de 2014 no Brasil reconheceu sua decepção por não ter sido convocado para a última edição da Copa América.
"Não digo que me incomodasse, porque para um treinador é muito difícil fazer uma convocação para uma seleção, especialmente a brasileira, mas muitos pediam minha presença na equipe e infelizmente não fui", apontou.
Perguntado por como e onde se vê na próxima temporada, Hulk respondeu de bate-pronto: "Me vejo sempre dando o melhor de mim e ganhando títulos, independentemente de onde esteja". EFE


Ainda não existem comentários