Felipe Giaffone critica a F-1 e sentencia: A Fórmula Indy é melhor

20 de Outubro de 2009 06:31

Por Bruno Paiva Teixeira - Redação Yahoo! Brasil


O paulista Felipe Giaffone, de 34 anos, é o vice-líder da atual temporada da Fórmula Truck e está de olho na briga pelo título. Enquanto não chega a próxima etapa do campeonato, que será em Santa Cruz do Sul-RS no próximo dia 27/10, o piloto concedeu uma entrevista exclusiva para o Yahoo! Brasil e mostrou que não tem papas na língua.

Muito experiente e acostumado a brigar por títulos, Giaffone correu seis anos na Fórmula Indy e está na Truck desde 2005, na qual já foi campeão em 2007. Acompanhe a entrevista em que o paulista fala de sua atual fase no volante do bruto, experiências na Indy e suas opiniões polêmicas sobre a Fórmula 1.

Yahoo! Brasil: Da última vez que nos falamos, antes do início da temporada da Truck, sua expectativa era brigar pelo título, o que se confirmou. Quem deve levar o crédito pela sua maravilhosa campanha?

Felipe Giaffone: A equipe tem feito um trabalho maravilhoso, o caminhão está bem desenvolvido. A Volkswagen faz um ótimo trabalho na eletrônica; A RM [Competições, equipe de Giaffone na Truck] faz um trabalho excepcional na manutenção do caminhão. Tive quatro vitórias, duas quebras e um quarto lugar, e sempre que estive na pista o caminhão foi competitivo e me permitiu brigar por vitórias.

Y! B: Na briga pelo título, você está enfrentando Valmir "Hisgué" Benavides, seu companheiro de equipe, e que tem sido premiado pela regularidade. Ainda dá para tirar a taça da mão dele? Quem ainda pode ameaçar vocês?

FG: O "Hisgué"está fazendo um campeonato excelente, mas depende das próximas três corridas para saber quem pode ser campeão. O Roberval Andrade [RVR Motorsports/Scania] ameaça com certeza, ele está muito rápido. Quem errar menos leva. Já o Cirino e o Geraldo Piquet dependem da falta de sorte dos outros para entrarem na briga. Não digo que é impossível, mas é mais complicado.

Y! B: No seu início de carreira na Indy, um cara que te ajudou muito foi o tricampeão Nelson Piquet. Quais foram as principais dicas que ele te deu?

FG: Na época ele era da Hollywood [marca de cigarros que patrocinava Giaffone e Piquet]. Ficamos muito junto, e ele falou muito do passado, das experiências dele. Foi muito legal. O que ouvi muito dele foi sobre a relação com a mídia, pois ele nunca mediu as palavras. Ele está sempre brincando, tirando sarro, e por isso pagou pelos pecados. Acabou "pagando muito sapo" por falar as coisas na brincadeira e a imprensa levar a mal.

Y! B: Você já disputou as 500 milhas de Indianápolis. É realmente o maior evento do automobilismo mundial? Como é o clima nos bastidores?

FG: Com certeza. Indianápolis é enorme, com quase 500 mil pessoas por corrida. Disputei seis vezes seguidas e tive chance até de ganhar. Estive dos dois lados, com carro um bom e com um carro muito ruim, de te fazer correr sofrendo. A pista pode tanto dar satisfação como ser um martírio. A tradição é o segredo do sucesso da prova, pois o americano colocou Indianápolis na rotina dele. Estou em Interlagos acompanhando o GP do Brasil e é um evento qeu movimenta muita gente, mas Indianápolis é muito maior.

Y! B: Dentro da Indy, você competiu com muitos caras que gostam de "jogar sujo", como Paul Tracy e Michael Andretti. Você se envolveu em alguma confusão dentro da categoria?

FG: O cara que mais me deixou chateado foi o Dario Franchitti [escocês que se sagrou bicampeão da F-Indy em 2009]. Durante as 500 milhas de Indianápolis, em 2002, ele estava sem combustível e entrou nos boxes na minha frente para me atrapalhar e ajudar o companheiro de equipe, Paul Tracy. Depois de um tempo acabamos nos tornando amigos.

Y! B: Dos brasileiros que já passaram pela Indy, com qual você tem o melhor relacionamento?

FG: Tenho mais proximidade com o Tony [Kanaan], pois convivi muito perto dele. Até moramos juntos por um curto período. Também corri muito em categorias de kart com o Helinho [Castroneves] e o Vitor Meira.

Y! B: Por que você acha que a Indy tem pouco reconhecimento no Brasil, mesmo sendo uma categoria em que os brasileiros estão sempre brigando por título?

Foto: Orlei Silva

FG: O horário da F-Indy é difícil para qualquer televisão aberta. Para ser ao vivo, tem que entrar às quatro ou cinco da tarde brigando com programas de auditório e futebol. Teve uma época que a Indy pegou forte no Brasil, mas quando vai brigar com futebol por horário...

Tenho certeza que se a Fórmula 1 fosse no mesmo horário da Indy a TV Globo não transmitiria. Qual é a melhor [F-1 ou F-Indy] depende do ponto de vista. A Indy tem mais "porradas", batidas; mas a F-1 tem mais suporte de fabricantes e mídia.

Eu particularmente adorei a F-Indy, mas no Brasil não tem a mesma proporção. Eu corri lá, sei das manhas, tem o lance de pegar o vácuo do outro carro para ultrapassar, que é muito legal. Se é para ir assistir pessoalmente, eu acompanharia a Indy. Você vê apenas um pedaço do circuito na F-1. Já na Indy muitas vezes você vê a pista inteira de onde estiver, como no caso do oval.

Y! B: As mulheres estão conquistando seu espaço na Indy, mas o mesmo não acontece na F-1. O que você acha que está faltando para isso acontecer? A F-1 realmente é uma categoria menos receptiva?

FG: A F-1 é menos receptiva e está ainda pior. Está difícil para um piloto novo entrar, e o carro também é muito complexo. Não sei se veriam uma mulher com bons olhos. Chama um marketing muito bom, mas teria que preparar uma mulher boa para competir.

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