[Opinião] Histórias de dentro do campo (Parte 9: pontas-esquerdas)
24 de Novembro de 2009 05:37Por Celso Unzelte, colunista do Yahoo! Esportes
Dizem que no gol e na ponta-esquerda, as posições extremas do futebol, concentraram-se os maiores malucos da história desse esporte em todos os tempos. E é com eles, os camisas 11, que encerro a série das histórias de dentro do campo, posição por posição.
********************************************************************************
Francisco Rodrigues, o Rodrigues - também chamado de "Rodrigues Tatu", por conta de sua semelhança com o bicho -, foi um grande ponta-esquerda dos anos 50. Pouca gente, incluindo alguns de seus contemporâneos, se lembra, mas Rodrigues, o Tatu, começou a jogar no simpático e hoje extinto Clube Atlético Ypiranga, da capital paulista. Depois, brilhou primeiro no Fluminense e depois no Palmeiras, formando uma grande ala esquerda ao lado de Jair, o Jair Rosa Pinto.
A maior lenda sobre Rodrigues diz respeito a seu vício em corridas de cavalos. Ele seria tão viciado, mas tão viciado, que certa vez, no meio de uma partida, aproximou-se do alambrado só para pegar uma "barbada" (nome de um cavalo favorito em um páreo) junto a um torcedor.
Quando a bola veio, Rodrigues, mais interessado na conversa que na conclusão da jogada, teria dado um bico, só para se livrar dela. Naquele lance, a bola teria entrado, e Rodrigues, marcado um golaço sem querer.
********************************************************************************
Outro grande ponta-esquerda da década de 1950 foi o carioca Mário de Paula Lopes Júnior, o Mário - ou Mariozinho, para os torcedores do Bangu, de onde veio, e do Vasco, para onde foi, depois de brilhar no Corinthians.
Grande driblador, Mário, porém, não gostava de fazer gols: dizem, até, que depois de driblar várias vezes os adversários ele chegava a voltar com a bola, procurando um outro companheiro que a empurrasse para as redes.
Das muitas versões que surgiram entre a torcida para justificar o fato de Mário não marcar gols, uma era a mais bizarra de todas: ele teria "feito mal" a uma moça no Rio de Janeiro, como se dizia à época. Por isso, toda vez que aparecia sozinho diante do gol, Mário via o rosto da moça, enorme, a tomar todo o espaço entre as traves...
********************************************************************************
De todos os pontas-esquerdas brasileiros, poucos foram tão perfeitos quanto José Macia, o Pepe, titular do Santos com e sem Pelé, entre 1955 e 1968. Poucos, também, foram tão bons contadores de histórias, recentemente reunidas por ele em um livro chamado Bombas de Alegria - meio século de histórias do Canhão da Vila.

Em uma dessas histórias, Pepe conta que seu ex-companheiro Coutinho era técnico do Nove de Julho de Cornélio Procópio (PR) quando, depois de dar uma série de autógrafos, foi interpelado por um rapaz: "Ei, moço, eu pedi um autógrafo e você escreveu aqui no meu papel: ‘Jesus Cristo’. Por quê?" "Ué?", respondeu Coutinho. "Você não me disse ‘Coloca aqui o nome do senhor’? Então, foi isso que eu fiz..."
********************************************************************************
Aproveito o pé desta coluna para convidar todos os leitores, corintianos ou não, para o lançamento de meu novo livro, Timão: 100 anos, 100 jogos, 100 ídolos, que se realiza na terça-feira, 24 de novembro, a partir das 19 horas, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo.
![]() | Jornalista e pesquisador, Celso é professor de jornalismo e comentarista do canal ESPN Brasil, no qual participa do programa “Loucos por Futebol”. Também colabora com especiais para as revistas Placar e Quatro Rodas. Celso escreve semanalmente para o Yahoo! Esportes. Contato: celsounzelte@yahoo.com.br. |







