SÃO PAULO - Eleito para o terceiro mandato, após conseguir aprovar mudança no estatuto da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Jorge Lacerda resolveu falar sobre o assunto nesta segunda-feira, antes da abertura do Brasil Open, no ginásio do Ibirapuera. O dirigente, no entanto, atrapalhou-se ao explicar o apoio das federações estaduais que o elegeram por unanimidade. Ele chegou a dizer que o novo mandato teria relação direta com as Olimpíadas do Rio, em 2016. Mas, depois, admitiu que parcerias desse porte independem do gestor.
- Foi um pedido dos presidentes, principalmente por causa da Olimpíada. Empresas pensam em parceria até 2016. Por isso, é importante a continuidade do trabalho. Mas concordo que um patrocínio não depende do presidente. Talvez as empresas fiquem inseguras com as mudanças de diretoria, mesmo com contratos bem costurados. A questão é: vamos mudar a quatro anos da Olimpíada? O COB e outras confederações não mudaram - analisa Lacerda, que negou possíveis retaliações às federações e a troca de apoio político por ajuda financeira para eventos e projetos.
Lacerda, que sempre combateu o continuísmo, fez questão de lembrar que, quando assumiu a CBT, mudou o estatuto estabelecendo apenas uma reeleição. Ele, que fica no cargo até 2017, não disse se pretende continuar após 11 anos, com nova manobra política, e acredita que hoje é unanimidade:
- Não houve oposição. Os presidentes deram o recado de que estamos todos juntos, de olho em 2016. Meu sonho não é ficar na CBT para sempre. Eles querem que eu fique. E, se tem outros dirigentes querendo esse cargo, que se apresentem!
Ameaças aos adversários
Para se defender dos questionamentos sobre a investigação da Polícia Federal, após denúncia de prestações de contas duvidosas e possível caixa 2, o presidente disse que "nunca roubou ninguém" e que se "querem me pegar, que seja por problemas na parte técnica". Também avisou que, após o carnaval irá denunciar o mau uso do dinheiro de patrocinadores por institutos ligados ao tênis.
- Caixa 2, não! E essa denúncia é totalmente política, sem cabimento. O Ministério Público Federal não recebeu sequer um documento. Só recorte de jornal. E, sem evidência para uma denúncia, enviou para a PF. O CGU (Controladoria Geral da União) já se manifestou e o TCU (Tribunal de Contas da União) vai se manifestar e não vai dar em nada. Porque não devemos nada a ninguém - pregou o dirigente, que também ameaçou: - Tem gente no esporte fazendo coisa errada. E vamos começar a denunciar. Tem institutos, por exemplo, que, em alguns momentos, usam mal o dinheiro de seus parceiros, como os bancos.
Nesta terça-feira, no segundo dia do Brasil Open, o número 1 do país, Thomaz Bellucci, estreia nas duplas ao lado de Marcelo Melo contra os espanhóis Albert Montañés e Albert Ramos, às 17h. Nas simples, o chileno Fernando González, ex-top 5, pega o russo Igor Andreev, ex-top 20, por volta das 19h. Em seguida, João Souza, o Feijão, enfrenta o romeno Victor Hanescu, que o eliminou na primeira rodada do Brasil Open de 2010, na Costa do Sauípe, na Bahia.


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