Na primeira rodada da Copa Santander Libertadores deste ano, os clubes brasileiros somaram apenas oito pontos, de 18 possíveis. Um aproveitamento de 44,4%. E o futebol apresentado não foi dos mais animadores. O Vasco teve a pior estreia. Em casa, foi derrotado pelo Nacional (URU) e saiu vaiado de campo. O Santos também perdeu, mas foi longe de seus domínios, e na altitude de 3.600 metros de La Paz, na Bolívia, contra o The Strongest.
Corinthians e Flamengo, também fora de casa, empataram. Os atuais campeões brasileiros foram até a Venezuela e saíram com o empate em 1 a 1 contra o Táchira. Mesmo placar que a equipe de Joel Santana construiu na Argentina, contra o Lanús. O treinador optou por um time recheado de volantes, e até saiu na frente. Mas com Ronaldinho Gaúcho pouco inspirado, sofreu o empate.
Só quem saiu da primeira rodada com três pontos foram Internacional e Fluminense. O Colorado jogou o suficiente e ganhou em casa do Juan Aurich por 2 a 0. O Tricolor venceu o Arsenal (ARG) no Engenhão, mas não teve facilidade. Fred fez o gol logo no início, mas o time pisou no freio, e por pouco não sofreu o empate.
INTERNACIONAL
A equipe comandada por Dorival Júnior tem uma das zonas ofensivas mais perigosas da competição: D´Alessandro, Oscar, Dagoberto e Leandro Damião. E ainda tem o argentino Dátolo, que logo em sua estreia, fez gol no Gre-Nal 390, pelo Campeonato Gaúcho (empate em 2 a 2), e o segundo na vitória sobre o Juan Aurich por 2 a 0, na primeira rodada da Libertadores.
Este jogo, aliás, foi uma estreia convincente do Inter. Com facilidade e sem precisar se esforçar muito, fez dois gols, e poderia ter feito mais. Suficiente para animar a torcida colorada com a possibilidade de conquistar o torneio pela terceira vez em sete anos, e voltar para o Mundial de Clubes.
O técnico Dorival Júnior é um dos trunfos do Internacional. Ele chegou durante o Brasileirão do ano passado, no fim do primeiro turno, e aos poucos conseguiu fazer o time jogar do jeito que gosta. Na Libertadores, parece ter encontrado a equipe que desejava. Durante a competição nacional do ano passado, ele encontrou algumas dificuldades no ataque. Ficou mais de um mês sem Leandro Damião, e não conseguiu encontrar em Jô um substituto à altura, e nem um segundo atacante. Conseguiu a classificação na última rodada por conta de uma combinação de resultados. Neste ano, o seu camisa 9 voltou, e a dupla com Dagoberto mostra-se promissora.
A defesa, que é um dos setores criticados da equipe, levou apenas dois gols em seis jogos este ano (sem contar os jogos em que o Colorado atuou com os reservas), e ambos contra o Once Caldas, na primeira fase da competição. Os titulares no setor têm sido Rodrigo Moledo e Índio
O principal adversário do Inter no Grupo 1 é o Santos, atual campeão da Libertadores e adversário na segunda rodada. O jogo vai ser na Vila Belmiro.
COM A PALAVRA: Mauro Beting - Colunista do LANCE!
O Internacional não teve dificuldade alguma no jogo contra o Juan Aurich, o adversário é frágil. Não fez a sua melhor partida, mas foi uma boa estreia. Podemos destacar nesse time o quarteto formado por Dagoberto, D´Alessandro, Oscar e Leandro Damião, e ainda tem o Dátolo, que tem entrado bem. Com tudo isso, a camisa que tem, o Inter vem com potencial. Eu acho que tem problema na defesa, não vejo nenhuma dupla possível que dê segurança ao Dorival, embora o meio-campo tenha Guiñazu e Bolatti. Contra o Santos, vão ser dois grandes jogos. São dois grandes times, têm a rivalidade por serem do mesmo país, é difícil projetar, ambos podem vencer. Acho que o Inter passa de fase sem grandes dificuldades.
Dagoberto foi a principal contratação do Inter (Foto: Alexandre Lops / Site Oficial do Inter)
SANTOS
Do mesmo grupo do Inter, o Santos não começou assim tão bem. Pelo menos no placar. Em campo, o Peixe mostrou bom futebol, criou oportunidades, e poderia até ter vencido. Mas o The Strongest aproveitou a vantagem da altitude de La Paz e arrancou os três pontos do time da Vila Belmiro, com uma vitória por 2 a 1.
O Santos atacou mais, teve a bola por mais tempo, abriu o placar antes dos 10 minutos, mas sofreu a virada no último minuto de jogo. Perdeu três pontos, mas nada que preocupe, ainda, a torcida da Baixada Santista.
O clube é o atual campeão da Libertadores, tem Neymar, maior estrela do futebol sul-americano, além de Paulo Henrique Ganso, e o artilheiro Borges. Com toda essa credencial, o Peixe é naturalmente um dos favoritos a levantar mais uma vez o troféu mais importante do continente. No Campeonato Paulista, uma campanha apenas regular: sete jogos, três vitórias, três empates, e uma derrota. Mas jogou um bom tempo com a equipe reserva.
Uma das principais motivações do Santos é poder voltar ao Mundial de Clubes, e quem sabe, reencontrar o Barcelona. Na final do ano passado, a equipe de Messi, Xavi e companhia atropelou e venceu por 4 a 0. Neymar até teve que reconhecer que esteve em uma aula de futebol.
Os principais reforços do Santos foram nas laterais. O uruguaio Fucile para o lado direito, e Juan, ex-São Paulo e Flamengo para o esquerdo. Muricy conta ainda com as recuperações de Ibson e Elano, que desde o ano passado não atravessam suas melhores fases. O treinador Muricy Ramalho, tetracampeão brasileiro e da Libertadores do ano passado, pelo próprio Alvinegro Praiano, espera pelos dois para auxiliarem Ganso na criação das jogadas.
No próximo jogo, contra o Inter, a vitória é fundamental. Uma segunda derrota, sendo esta em casa, deixaria os adversários muito na frente pela vaga nas oitavas de final.
COM A PALAVRA: Mauro Beting - Colunista do LANCE!
Qualquer estreia deixa o time nervoso, mas sendo o atual campeão, é natural que exista uma cobrança. O Santos não joga o que pode já há algum tempo, mas nesse primeiro jogo, contra o The Strongest, não era apenas para ter vencido, era para ter goleado. Foi um jogo estranho, não acho nada preocupante essa derrota. Para o jogo contra o Inter, o Santos tem que respeitar, se não pode ser surpreendido em casa. Vejo qualidades nos dois times. Se o Santos perder, pode até começar a se preocupar matematicamente, mas não deve se complicar, os outros dois adversário são bem inferiores. Mas assim como o Inter, acho que o Santos vai passar.
Neymar é o jogador mais valioso da Libertadores deste ano (Foto: Célio Messias)
FLAMENGO
Fora de casa, o Flamengo conseguiu um empate contra o Lanús, da Argentina, por 1 a 1. Depois de passar um certo sufoco na primeira fase da Copa Santander Libertadores, contra o Real Potosí, o clube da Gávea trocou de comando, saiu Vanderlei Luxemburgo e entrou Joel Santana. O Natalino chegou, venceu seus dois jogos pelo Campeonato Carioca e resolveu ir para o jogo da última quarta-feira com um meio-campo defensivo, foram quatro volantes, apenas Renato Abreu como o jogador mais criativo. Willian, Aírton e Maldonado completaram o setor.
O ataque foi formado por Ronaldinho Gaúcho e Deivid. O camisa 10 esteve em uma noite apagada, pouco apareceu, e errou quase tudo o que tentou. O gol do Lanús estava mais maduro, mas em uma jogada entre laterais, o Flamengo abriu o placar. Junior Cesar cruzou rasteiro, a bola passou por três jogadores, e Leo Moura não desperdiçou. Mas o time mostrava pouca criatividade.
Se for pensar na tabela, o resultado pode ser considerado bom. Afinal, foi um empate fora de casa contra um time argentino. Mas pensando na competição, o Flamengo precisa melhorar para pensar em ir longe na competição.
Na próxima partida, em casa contra o Emelec (EQU), líder do Grupo 2 com três pontos, a tendência é que Joel escale Bottinelli desde o início. Apesar de ter perdido um gol feito, o apoiador deu mais movimentação à equipe. Além disso, vai poder contar com o atacante Vagner Love, principal contratação do clube para este ano.
COM A PALAVRA: Álvaro Oliveira Filho - Colunista do LANCE!
O Flamengo, teoricamente, teve um resultado bom, mas postura muito ruim. O Joel Santana escalou um time com vários volantes, teve várias desculpas para isso. E quando o Bottinelli entrou, o Flamengo tomou o gol, mas melhorou. O treinador não pode continuar com essa postura defensiva, o que não acredito que vá acontecer, principalmente nos jogos em casa. O time não pode se acovardar, mesmo jogando fora de casa. O Fla tem Ronaldinho Gaúcho, Leo Moura, Vagner Love, tem time para jogar em qualquer lugar com personalidade. Para o próximo jogo, contra o Emelec, em casa, o Flamengo tem que ganhar. Mas vai ter que mudar a postura, e jogando no Rio de Janeiro, tem que ganhar sempre. Se for 1 a 0, está ótimo, não é obrigação golear o Emelec. Primeiro garante os três pontos, depois pensa em saldo de gols.
Ronaldinho faz sua primeira Libertadores pelo Flamengo este ano (Foto: Paulo Sérgio)
FLUMINENSE
O Tricolor das Laranjeiras conseguiu a vitória na estreia. Um gol de Fred logo no início da partida e uma pressão do Arsenal de Sarandí que foi até o final. O Fluminense acabou saindo com o placar de 1 a 0 e os três pontos, mas sem convencer a torcida. O time entrou na competição como um dos favoritos, depois de um bom segundo turno no Campeonato Brasileiro do ano passado, Deco jogando bem, Rafael Sóbis fazendo boa dupla, e as contratações de Wágner e Thiago Neves. Ainda se reforçou fora de campo, ao trazer o diretor-executivo Rodrigo Caetano, que era do Vasco.
Por enquanto, Thiago Neves tem mostrado disposição, tem feito gols, e deve começar jogando no próximo jogo, contra o Boca Juniors. Além de estar agradando, Wágner foi expulso contra o Arsenal, e o ex-jogador do Flamengo é o substituto natural.
A próxima partida, aliás, é considerada a mais complicada desta primeira fase: contra o Boca Juniors no La Bombonera. E além de Wágner, Leandro Euzébio viu o cartão vermelho. Nos últimos três jogos, o Fluminense teve cinco jogadores expulsos. O que anima os tricolores é a atual fase do bicho-papão argentino. Apesar de ter sido campeão nacional no ano passado, o time empatou contra o Zamora, da Venezuela, e Riquelme brigou com o treinador Julio Cesar Falcioni.
Com todo este panorama, a situação é favorável ao Fluminense.
COM A PALAVRA: Vitor Birner - Colunista do LANCE!
É um time que tem elenco para disputar título, mas ainda não se acertou. No primeiro jogo, contra o Arsenal de Sarandí, sofreu mais do que deveria para conseguir vencer. Acabou entrando na pilha do time argentino. Foi estreia, o resultado foi bom, mas o futebol, não. Mostrou desequilíbrio emocional, é início de temporada, o Thiago Neves não teve pré-temporada. O time precisa evoluir para ser campeão, mas tem potencial, só não foi convincente no primeiro jogo. A tendência é que Thiago seja titular, é experiente, tem rodagem na Libertadores, o Wágner até tem, mas está chegando agora, o Thiago conhece a casa. Para o próximo jogo, o Fluminense vai encontrar dificuldades, claro. Jogar contra o Boca Juniors na Bombonera é sempre uma dificuldade. O princípio de crise no clube vai ficar do lado de fora. O Falcioni não é técnico de arrumar confusão, o Riquelme que é meio confuso, mas mesmo assim, acaba arrebentando, ele sabe o que é o Boca. A briga entre os dois vai ser tratada de forma separada.
Thiago Neves foi vice da Libertadores em 2008 pelo Fluminense (Foto: Gilvan de Souza)
VASCO DA GAMA
Dos times brasileiros, o Vasco teve a pior estreia. Dentro de São Januário, a equipe teve vários desfalques importantes, e apresentou um meio-campo lento, um ataque que pouco recebia a bola, e muito nervosismo. Resultado: derrota por 2 a 1 contra o Nacional (URU), torcida chamando o técnico Cristóvão Borges de burro, principalmente por não ter colocado Bernardo, e vaias na saída.
Para o próximo jogo, alguns dos desfalques já vão poder estrear na competição. Éder Luís, Fagner, Rômulo e Allan já deverão estar disponíveis. O único totalmente confirmado é o lateral-direito, que venceu o prêmio de melhor na posição no Brasileirão do ano passado, ele estava suspenso, os outros ainda se recuperam de lesões.
Pelo menos no Campeonato Carioca, o Vasco vai bem, o que dá algum alento à torcida. Em seis jogos, apenas vitórias, inclusive no clássico contra o Fluminense. Foi o primeiro a garantir vaga na próxima fase, e tem o melhor ataque, com 15 gols.
Mas fora de campo, o time não atravessa a melhor fase. Sofrendo com atrasos de salários, sofreu na quarta-feira mais um golpe: o atacante Bernardo entrou na Justiça cobrando FGTS atrasado, e pode até deixar São Januário. Tentando deixar tudo isso fora das quatro linhas, o Vasco pega na próxima rodada o Alianza Lima. Os peruanos também perderam na primeira partida, e são considerados os mais fracos do Grupo 5.
COM A PALAVRA: Álvaro Oliveira Filho - Colunista do LANCE!
No primeiro jogo do Vasco pela Libertadores, deu para ver, acima de tudo, que o Nacional é um time com personalidade mesmo jogando fora de casa. O Vasco teve desfalques muito importantes, que foram essenciais para que o time não conseguisse jogar do jeito que estamos acostumados a ver, principalmente o Fagner, que tem sido o melhor jogador este ano. Aí o Vasco acabou perdendo em casa, que é um resultado difícil de se recuperar em uma competição curta. No próximo jogo, contra o Alianza, em casa, é uma partida chave para o Vasco ganhar. Depois desse confronto, o time só vai ter mais um jogo em casa, então tem que vencer de qualquer jeito. O ideal é jogar bem, golear, mas o essencial é que venham os três pontos. No final, acho que se classifica.
Juninho voltou ao Vasco e vai tentar conquistar a América outra vez (Foto: Cleber Mendes)
CORINTHIANS
O atual campeão brasileiro também estreou na Libertadores perdendo pontos. Foi até a Venezuela e só conseguiu um empate contra o Deportivo Táchira por 1 a 1. Pensando na tabela da competição, o resultado não foi ruim, afinal foi fora de casa. Mas a atitude mostrada por alguns jogadores depois de levar o gol de empate foi estranha para uma equipe que conta com vários jogadores experientes.
Nada que não possa ser consertado. E isso pode acontecer já na próxima rodada. O Timão recebe o Nacional (PAR), considerado o time mais fraco do Grupo 6. É a oportunidade perfeita para vencer bem, e ter a torcida ao lado na disputa pelo título inédito (dos seis clubes brasileiros que estão na Libertadores, só Corinthians e Fluminense ainda não levaram o troféu).
E o Corinthians ainda tem dois jogadores que a torcida tem muita esperança de ver brilhar. Adriano e Douglas. O Imperador chegou no ano passado, e ainda não justificou o alto preço. Já o apoiador que estava no Grêmio retorna ao clube para dar mais leveza ao meio de campo.
COM A PALAVRA: Vitor Birner - Colunista do LANCE!
O Corinthians marca bem, é entrosado, entra em campo sabendo o que vai fazer, tem um coletivo muito bom e tende a melhorar isso. Mas o Corinthians, em alguns momentos, falta repertório. O Douglas pode trazer isso. O time teve uma estreia razoável, é um time que pode jogar bem mais. E não gostei da reação dos jogadores depois de terem tomado o gol para o Táchira. O time começou a ficar tenso, isso é inadmissível, são jogadores rodados e experientes, mas o resultado foi bom, empate fora, estreia tranquila. Contra o Nacional, o Corinthians tem a obrigação de ganhar, e tem que ser convincente. O jogo é para ser simples. O Nacional é um time pequeno, sem torcida, sem tradição.
Liedson é a referência no ataque do Corinthians (Foto: Eduardo Viana)


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