Pessoal, estou me despedindo do Blog do Pan. Durante esses dias, tive a oportunidade de colocar aqui meu olhar do esporte e do Pan-Americano, meus questionamentos e provocações. Agradeço todos os comentários e visitas. Deixo uma última mensagem, continuando a idéia do Post anterior. Meu maior tesouro foi poder crescer no meio esportivo. Muito antes do esporte profissional me pegar. Faço esporte desde os 7 anos, fui profissional por 15, e hoje pratico surf e natação. Nessa vivência aprendi a ver o Esporte como laboratório da vida. Na quadra as pessoas se mostram como elas são. Numa disputa esportiva, o povo se mostra como ele é. Deus e o Diabo estão nos detalhes.
Vamos em frente! Há 6 anos sou presidente do Instituto Esporte & Educação, uma ONG de professores de educação física, que trabalha pelo esporte nas escolas e comunidades. Visitem nosso site www.esporteeducacao.org.br. Obrigada por tudo. Tchau!
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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A festa foi bonita, não havia dúvida que seria assim. Não somos o País do Carnaval, como não faríamos uma festa de abertura bonita? Não era esse o grande desafio. Ainda mais com dinheiro, contratanto artistas, fogos e artifícios.
A organização esportiva do evento, no geral, esteve acima da média para Jogos Pan-Americanos. Também não nos era dúvida essa conquista. O COB e o Co-Rio foram reforçados com alguns dos melhores e mais experientes profissionais da área. Alguns, pasmem, nem mesmo são cariocas. Não produzimos excelentes profissionais em tantas áreas, no esporte não é diferente. E onde não somos especialistas, estes vieram do estrangeiro (empresas organizadoras de grandes eventos, para a cronometragem, etc.). E se tivesse mais um pouco de dinheiro e tempo, até mesmo o Beisebol/Softbol teriam resolvido. Neste campo, como na festa, talento e recurso compõem a fórmula mágica.
Os resultados também foram os melhores que já conquistamos em Pan-Americanos. Reflexo dos mecanismos de financiamento ao esporte implementadas nos últimos anos, especialmente a Lei Agnelo-Piva e a Bolsa-Atleta. Medalhamos em modalidades nunca dantes medalhadas, como Pentatlo Moderno, BMX, Wakeboard, Esgrima. Além de termos subido nas médias de outras modalidades, como Natação e Ginástica. Para Pan-Americano, está excelente. Já ano que vem, em Pequim, as medalhas virão das mesmas modalidades de sempre (Vela, Hipismo, Vôlei, Judô, talvez em outras como Atletismo, Ginástica e Natação...). Ok, o Pan colocou o esporte na pauta do País, apesar deste ter sido posto sob o único ângulo do alto rendimento. Ajudou na aprovação da Lei do Incentivo ao Esporte (que ainda não está regulamentada e em prática) além de ter trazido um grande número de equipamentos e alguns Complexos Esportivos de 1º. Mundo. Mas dizer que isto vai mudar nossa realidade esportiva, aí é insanidade.
E ESPORTE PARA QUEM? O Esporte que vimos no Pan do Rio é para uns poucos milhares de atletas, técnicos e dirigentes que estão inseridos no Sistema Esportivo Brasileiro, composto basicamente pelas Federações, Confederações e COB. Agora o ESPORTE PARA TODOS, este é uma outra coisa. Não precisa de equipamentos importados, bolsa para treinamento, não precisa do Engenhão, nem do Maria Lenk, nem do Velódromo. Precisa de outros investimentos, tão ou mais altos como os que foram feitos para o Pan do Rio. Mas muito mais difícil e complexo de ser implementado. Tenho certeza que o COB e o Co-Rio não fazem a mínima idéia de como fazer isso. E muitas vezes, eu acho que nem mesmo a Prefeitura do Rio, o Estado e o Governo Federal sabem (às vezes duvido que queiram...). Agora, só com esporte no dia-a-dia do povo brasileiro, é que poderemos receber uma Olimpíada. Só sabendo de esporte NA PRÁTICA, não somente por aquilo que temos que aceitar das transmissões esportivas, com os ângulos e interesses os grupos que lá estão. Esta distância entre as pessoas ?normais? e seus ídolos é cruel. No Brasil eles são poucos e inatingíveis, vivem na televisão. O que o Brasil precisa é ter mais ídolos, na escola, na cidade, ídolos regionais e nacionais.
Somos o País do TUDO OU NADA. E precisamos mudar essa lógica.
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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Fechou o Yahoo! Respostas. Os internautas escolheram a melhor. Valeu pela participação. Muitas diferentes visões desse tema. O que tenho a dizer não é para desmerecer nosso povo. Porém, sem um senso crítico não se caminha. Por isso, me desculpem a franqueza.
As vaias da torcida intencionadas para desestabilizar o adversário, desconcentrar, torcer para errar, ou desvalorizar a vitória, são espírito de porco, não espírito esportivo. Podem dizer que é a maneira da torcida participar. Concordo, mas é uma maneira não ética e sem nobreza. Querer bem ao seu atleta, não querer mal ao adversário.
Essa reação da torcida, mais os comentários neste espaço mostram, em geral, uma realidade carente. Somos um povo sem Cultura Esportiva. Gostamos de assitir esporte na TV (ao vivo o povo quase não tem chance). Mas sabemos pouco da PRÁTICA ESPORTIVA, pois praticar esporte no Brasil é para poucos. E só quem sentiu na pele, um dia que seja, uma grande e injusta vaia, pode dizer o que isso signifa.
Esporte é cidadania, certo? Então vamos começar a ensinar na escola o esporte que se vê na TV. Com disputa e superação, mas também com vaias e rixas para os adversários. Combinado?
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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Estão todos aí na foto: o Pai, os Filhos (Ricardinho está representado na bandeira) e os netos e netas. A colocação tem um pouco de ironia. Na verdade, eu não gosto muito da relação que se faz entre times e famílias. Time é time, família é família. Nem a Família Scolari, nem a Família Bernardinho, nem qualquer outra. O que esses homens fazem nas quadras e campos, é funcionar como uma equipe. Família é o que carregamos do berço, os laços são de sangue ou de afinidade, os objetivos são comuns, mas não tem prazo de validade. Numa equipe, os objetivos são comuns enquanto durar o tempo útil dos atletas e técnicos. Quando este tempo finda (as peças já não dão os mesmos resultados e não são mais tão importantes), o time continua com outros membros.
Este papo de família em esporte é um ato falho. O sistema esportivo é paternalista sim, centrado em lideranças que concentram poder e ditam as regras. Os atletas tem pouca voz nessa balança, às vezes por repressão, outras por serem jovens (ou despreparados) demais. Se fosse uma família, seria um modelo bem antiquado. O real de um time, é que as pessoas estão lá para dar resultado. Ganha mais quem conseguir, por mais tempo, passar por cima dos interesses individuais em nome do resultado do grupo. Ou, em outras palavras, por quanto tempo e o quanto vale a pena dar de si para um time.
Abaixo eu reproduzo trecho da matéria da Revista Época, em levantamento jornalístico a respeito do corte do Ricardinho.
A comissão técnica e os jogadores dividiram o prêmio de US$ 1 milhão pela vitória (Nota AM: Prêmio pelo título da Liga Mundial). O levantador decidiu, porém, que seu prêmio individual de US$ 100 mil seria dividido somente entre os jogadores, e não com a comissão técnica, rompendo uma combinação cumprida desde 1991 (Nota AM: o combinado é desde 2001). Segundo três pessoas próximas da seleção, Ricardinho e Bernardinho travaram, exaltados, o seguinte diálogo na frente da equipe:
? O prêmio do jogador é dos jogadores. São eles que passam a bola, eles que entram em jogo.
? Isso não é o combinado. Como você pode decidir isso e não me falar nada?
? E quando você vai dar suas palestras, você me fala alguma coisa? Quando vai gravar comercial, você divide com a gente?
(Foto Sílvio Ávila - www.cbv.com.br)
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
Comente (34) » Permanent LinkFoi a seleção juvenil feminina, que conquistou na Tailândia o título mundial pela 6a. vez. O primeiro desses, em 1987, foi conquistado pela minha geração. No time, Márcia Fú, Fernanda Venturini e eu. Na época fui eleita a melhor jogadora. Neste mundial, o título de melhor foi para a ponteira Natália. Só na final fez 34 pontos, na vitória por 3x1 contra a China. Além de MVP, Natália foi a melhor atacante e maior pontuadora. Muito melhor do que eu em 87. A Natália tem 1,84m, não é gigante, mas bate alto e forte como poucas. É bem possível que o Zé Roberto a chame já para a seleção adulta.
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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A seleção masculina passou até aqui, só com alguns sustos (sem contar, claro, com o corte pré-Pan). O primeiro set da semifinal contra a Venezuela foi duro, decidido na moral no finzinho. Superação típica desta equipe brasileira. O restante do jogo, um passeio. O Brasil fez 12 pontos de saque. Nos 2 últimos sets, fez treino de contra-ataque. Acabada a semifinal, preparação para a final contra os EUA.
O Brasil tem entrado em quadra ainda não totalmente reencontrado. Tinhoso, o time joga a partir dos desafios colocados pelos adversários. Posta a dificuldade, nossos guerreiros respondem a altura - esta tem sido a regra. Os norte-americanos são adversários perigosos. Foram 3o. da Liga Mundial que o Brasil venceu há duas semanas, e simplesmente sufocaram o time cubano na outra semifinal de hoje. Saque, bloqueio/defesa e contra-ataque. Esta foi a fórmulada usada pelos EUA contra os cubanos hoje. Nem a força suprema dos cubanos foram suficientes. Se eles tivessem um levantador melhor... Mas os americanos tem um bom levantador, que joga rápido o tempo todo. Fez o bloqueio cubano correr e quase não achou nada.
Cuidado Brasil. Os EUA são adversários perigosos.
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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46 a 40. Cuba abriu a vantagem, especialmente com atletismo e boxe. O Brasil também ganhou medalha no atletismo, além da ginástica rítmica, hipismo e canoagem. Amanhã disputamos 6 medalhas só na vela. Fora o vôlei, atletismo e ginástica rítmica.
Agora, não se trata de nenhuma rivalidade que estou aqui a incitar. Estou somente acompanhando a luta do segundo contra o terceiro. Seria da mesma maneira se fosse o Canadá, pelo menos para mim. Não é uma questão pessoal contra cubanos e cubanas, muito pelo contrário. E também não é caso de comparar a realidade dos dois países (Cuba e Brasil), porque para isso seria preciso escrever alguuuns posts.
É para curtir o momento, uma maneira de aplaudir os atletas brasileiros e suas lutas para representar bem o Brasil em casa.
(Fotos AE)
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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Será que acabaremos o Pan do Rio a frente de Cuba no quadro de medalhas? Corremos este risco. É claro que há diferenças entre os ouros de Cuba e os ouros do Brasil. O grande trunfo do Brasil é ter ganho uma série de medalhas inesperadas e inusitadas: as de bronze e prata de esportes como esgrima, BMX, triatlhon, remo, entre outras modalidades. O mesmo caso aconteceu com algumas das nossas 35 medalhas de ouro (até agora), os dois maiores exemplos podem ser o wakeboard e pentatlo moderno.
Já Cuba, só para simplificar, tem mais chances de repetir essas medalhas em Pequim, o que não acontecerá da mesma maneira que as nossas. Mas aqui no Pan do Rio, as chance está lançada. Hoje e sábado são os dias decisivos. O Brasil vai de vôlei, vela e ginástica artística como princiapis trunfos. Cuba aposta nas lutas (boxe, greco-romana) e atletismo.
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
Comente (21) » Permanent LinkNunca disse isso, mas como há muitos comentários falando, acho melhor deixar logo aqui minha posição. Não acho que o Bernardinho tenha tirado o Ricardinho para colocar seu filho Bruno no Pan. O Bruno tem sua história própria, curta porém vitoriosa. É o terceiro levantador do Brasil e o lugar seria seu de qualquer maneira.
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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Giba foi o maior pontuador (15 pontos), sacamos e bloqueamos melhor. O time também jogou muito bem na defesa, mostrou luta e união. A seleção masculino continua, ou recupera gradativamente, sua energia de jogo. É na intensidade e vontade de ganhar que muito se apoia o time masculino. Tão grande que muitas vezes assusta os adversários, que não conseguem canalizar tanta força.
Hoje contra o México, vai ser uma massacre. E o próximo jogo difícil, acho que só mesmo na final. (Foto AE)
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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Tem pergunta minha no Yahoo! Respostas. Já está bombando. Tenho lido as colocações e, confesso, não concordo com muitas delas. É lógico que estamos falando de diversidade de experiências e pensamentos. Respeito todos e todas, e tenho as minhas. Em tempos de grandes mutações, novos cenários, valores e éticas, difícil é encontrar uma verdade absoluta. As verdades contemporâneas são mosaicos. O desafio é encontrar as semelhanças e respeitar as diferenças. E aprender com elas.
Bem, deixando a filosofia de lado, a pergunta é sobre as vaias do Pan, se isso faz parte do Espírito Esportivo. Daqui a dois dias termina o prazo. Aí eu prometo que divido com vocês meu olhar de tudo isso.
o link: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070723161137AAOPnTh
Ana Moser
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Ana Moser
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Com medalha de ouro de Fabiana Murer, no salto com vara. Nesta prova as adversárias da brasileira também sofreram com as vaias da torcida. Modalidade altamente técnica, as atletas perderam a concentração e se prejudicaram. Os atletas e técnicos brasileiros ficam meio constrangidos, alguns estrangeiros acham bizarro, outros apaixonante, outros, como os corredores de provas de fundo, gostam do incentivo. Faz com que se sintam mais vivos na prova. Vários lados da mesma moeda.
Com ou sem vaia, o atletismo continua amanhã. Destaque para o Salto em Distância e 100 metros, ambos no masculino. Sempre provas muito bonitas e tem brasileiros com chances de medalhas.
Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei da seleção
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O técnico José Roberto cortou Mari da seleção. O time se reapresenta na terça para inciar a preparação para os outros dois torneios deste ano: o Grand Prix e a Copa do Mundo. Esta última classifica os três primeiros para a Olimpíada de Pequim. Zé Roberto justificou o corte a partir do baixo desempenho da atleta no Pan do Rio. Disse que ela terá as portas da seleção abertas, mas terá que mostrar serviço.
Com tanta coisa acontecendo, estou até zonza. Não consigo nem comentar essa notícia. Vou me restringir ao registro.
Ana Moser
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O projeto é da Revista Viração, do meu amigo Paulo Lima. Tentamos nos encontrar no Rio, mas desencontros, meu trabalho pela ESPN/Brasil e problemas com os bilhetes sociais utilizados pelos jovens, nos impediram a entrevista. Mesmo assim, gostaria de indicar para vocês o site http://www.revistaviracao.com.br/agencia/ . Abaixo mais informações. Esses jovens estão correndo as competições e suas comunidades, trazendo o ponto de vista diferenciado. Vale a pena!
Jovens da Cidade de Deus e Maré produzem mídias
Levar os Jogos Pan-Americanos até as comunidades do Rio de Janeiro a partir de uma visão de quem, muitas vezes, é excluído do direito ao esporte e lazer. É essa a proposta do Projeto PapoPan (Projeto Autenticamente Protagonizado e Organizado por Adolescentes e Jovens Inovadores) que ocorrerá durante o mês de julho e envolverá cinqüenta jovens de diversas comunidades cariocas e profissionais de comunicação. O projeto, concebido e desenvolvido com base na educomunicação, é fruto da parceria entre o Projeto/ Revista Viração, Observatório de Favelas, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério da Justiça e Ministério do Esporte, e conta com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (NCE-ECA-USP), da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) e da Radiobras.
As e os jovens, que fazem parte do projeto Guia Cívico, receberão capacitação de texto e produção jornalística, fotojornalismo, rádioweb e vídeoweb. Elas e eles farão a cobertura a partir de sua ótica, de sua visão de mundo, o que despertará o olhar crítico das e dos mesmos para a comunicação.
As notícias, fotos, rádioweb e vídeoweb serão publicados no site da Agência ViraJovem de Notícias www.revistaviracao.org.br/agencia), e poderão ser reproduzidos por outros veículos de comunicação na base do príncipio de copyleft. A assessoria do projeto enviará um boletim diário com a produção das e dos jovens para os sites parceiros e rádios comunitárias de todo o Brasil.
Ana Moser
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