| Quadro geral de medalhas | ||||
| País / Medalhas | total | |||
| Argentina | 68 | 44 | 38 | 150 |
| Estados Unidos | 44 | 33 | 18 | 95 |
| Chile | 9 | 20 | 12 | 41 |
| Cuba | 9 | 9 | 10 | 28 |
| Brasil | 5 | 15 | 12 | 32 |
| México | 4 | 9 | 27 | 40 |
| Peru | 2 | 5 | 7 | 14 |
| Trinidad e Tobago | 1 | 3 | 0 | 4 |
| Equador | 1 | 0 | 1 | 2 |
| Colômbia | 1 | 0 | 0 | 1 |
Pouco mais de 2.500 atletas de 21 países competiram em 19 modalidades esportivas na primeira edição dos Jogos Pan-Americanos, de 25 de fevereiro a 9 de março de 1951, em Buenos Aires. A Argentina vivia tempos de efervescência política com o presidente Juan Domingo Perón no poder e não decepcionou a sua torcida: pela única vez na história foi quem conquistou mais medalhas de ouro (68) e no total (150). O sucesso dos anfitriões, que naquela época pretendiam sediar também as Olimpíadas, em parte deveu-se ao fato de os Estados Unidos terem limitado o tamanho da sua delegação, não competindo em sete esportes (Hipismo, Futebol, Ginástica, Pólo, Remo, Tênis e Vela).
A idéia de realizar uma grande competição esportiva nas Américas surgiu em 1932, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos. A proposta ganhou força em 1940, com a realização de um congresso continental em Buenos Aires, escolhida como sede dos Jogos Pan-Americanos que aconteceriam no ano seguinte. Porém, o evento teve que ser cancelado devido à eclosão da II Segunda Guerra Mundial. Em 1948, foi criada a Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) – entidade que reúne os Comitês Olímpicos das Américas –, sendo a capital portenha novamente confirmada como a primeira sede dos jogos.
Em Buenos Aires, os atletas competiram amparados por inéditos seguros de vida. Na capital portenha foi quebrado o primeiro recorde mundial em Jogos Pan-Americanos e a proeza coube a Heulet Benner, dos Estados Unidos, que obteve 570 de 600 pontos possíveis no tiro rápido. Outro americano que se destacou foi Robert Richard, ouro no salto com vara com a marca de 4m50. Três dias depois, quebraria o recorde mundial com o salto de 4m77, num meeting em Nova Iorque, nos EUA. Os argentinos não fizeram por menos: ganharam os oito ouros em disputa no boxe e a maratona, com Delfo Cabrera.
Com 179 atletas, o Brasil teve desempenho modesto – ficou em quinto lugar, com cinco medalhas de ouro e 32 no total. O primeiro ouro do país na natação foi conquistado por Tetsuo Okamoto, nos 400m livre. Ele também venceria nos 1500m livre. O melhor competidor foi Adhemar Ferreira da Silva, campeão no salto triplo. No ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia, o saltador quebraria o recorde mundial da modalidade (16m22). Outras medalhas douradas foram ganhas por Eric Tinoco Marques, no Pentatlo Moderno, e pela dupla Roberto Bueno e Gastão Souza na Vela (classe star).
Mas a desorganização manchou a participação do Brasil. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e a Liga Brasileira de Halterofilismo não se entenderam e o país somente foi representado na modalidade porque quatro atletas viajaram por conta própria até Buenos Aires. Uma jornada triste foi a goleada de 7 a 1 sofrida para a Argentina no pólo aquático, com a presença no time de João Havelange, atleta do Fluminense, que viria a ser presidente da CBD e posteriormente da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa). Neste jogo, o chefe da delegação não estava presente e o treinador só apareceu no segundo tempo.
Esporte mais glorioso do Brasil na história dos Jogos Pan-Americanos, o atletismo obteve nove medalhas: além do ouro de Adhemar Ferreira da Silva, três de prata e cinco de bronze (no total, são 114 medalhas, 37 de ouro). Pela primeira vez uma equipe nacional de Esgrima chegaria à final de uma competição de grande porte. A de ginástica, por sua vez, estreou em torneios internacionais. Sem brilho, mas com a importância histórica de ter aberto caminho para – meio século depois – o surgimento de campeãs com Daiane dos Santos, Daniele Hypólito e outros feras.
Curiosidades
Candidatura fracassada A Argentina vivia os tempos de peronismo e os Jogos Pan-Americanos seriam um trampolim para Buenos Aires sediar as Olimpíadas, o que jamais aconteceu.
Dirigente na piscina João Havelange, que viria a ser presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa), era um dos jogadores da seleção brasileira de pólo aquático e amargou uma goleada de 7 a 1 para a Argentina.
Por conta própria O Brasil só foi representado nas competições de levantamento de peso porque os atletas viajaram por conta própria até a capital argentina, sem qualquer apoio oficial.