Pressão por medalhas pode atrapalhar


Trazido pelos imigrantes europeus, o atletismo desembarcou no Brasil no final do século XIX. Em seus primórdios o esporte era restrito à elite paulistana, que promoveu as primeiras competições em 1914. Um evento nacional só foi organizado em 1929, pela extinta CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Foi o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, que serviu para popularizar o atletismo.
Antes de se tornar popular no país, o atletismo já havia representado o Brasil em Olimpíadas. Foi em 1924, em Paris, com uma equipe de oito atletas. Mas a primeira medalha na modalidade só foi conquistada em 1952, em Helsinque, na Finlândia, quando Adhemar Ferreira da Silva ganhou o ouro no salto triplo, com quatro quebras sucessivas do recorde mundial.
O atletismo já assegurou 12 medalhas olímpicas para o Brasil (três de ouro, três de prata e seis de bronze) e oito quebras de recordes mundiais masculinos; no salto triplo e na maratona. Hoje quem rege o esporte é a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), fundada em 1977.
Expectativa para o Pan e as Olimpíadas 2008
O atletismo brasileiro vai disputar o Pan do Rio com uma nova safra de atletas, que tem como expoentes Keila Costa, Fabiana Murer, Jefferson Sabino, Rogério Bispo, Jadel Gregório e Franciela Krasucki. Trata-se de uma equipe que, apesar de jovem, já conta com boa experiência internacional, pois tem representado o Brasil constantemente em eventos na Europa e nos Estados Unidos.
O que pode pesar desfavoravelmente, avaliam os especialistas, é a pressão psicológica por bons resultados dentro de casa. Mesmo assim, a aposta é que o atletismo brasileiro supere seu melhor desempenho em Jogos Pan-Americanos, registrado em 1999 em Winnepeg. Na oportunidade foram conquistadas sete medalhas de ouro, cinco de prata e quatro de bronze.
Outra expectativa para o Pan 2007 é que as provas sejam de alto nível, já que são esperadas as presenças dos maiores nomes da modalidade do continente. Com isso, os jogos servirão de laboratório para que a equipe brasileira melhore seu rendimento para as Olimpíadas de Pequim, na China, em 2008.
O nome brasileiro do momento
Vencedor da recente edição da Maratona de Nova York, o fundista Marílson Gomes dos Santos é atualmente o principal destaque do atletismo brasileiro. Com ele, o Brasil espera conquistar uma medalha de ouro no Pan, apesar de que Marílson ainda não decidiu se vai correr a maratona nos jogos – está mais propenso a disputar os 5.000m e os 10.000m.
Três vezes campeão da São Silvestre (2002, 2003 e 2005), o atleta brasiliense escolheu a cidade serrana de Campos do Jordão, em São Paulo, para montar seu quartel general de preparação para o Pan. Nos jogos de Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003, Marílson ganhou uma prata e um bronze nos 10.000m e 5.000m, respectivamente.