Em busca da tradição perdida


O Brasil foi um dos primeiros países a conhecer o basquete, graças ao professor de artes norte-americano Augusto Shaw, que veio para o país em 1894 para lecionar na tradicional Mackenzie College, em São Paulo. Na bagagem, Shaw trouxe, além de livros, uma bola do recém criado esporte.
Apesar do empenho do professor, o jogo demorou um pouco para cair nas graças dos brasileiros. Isso tudo porque a modalidade foi apresentada primeiramente às mulheres, que a aprovaram de imediato. Com o machismo existente na época e com a concorrência do também recém-chegado futebol, o basquete demorou um pouco para ser admitido entre os homens.
Mas, aos poucos, Augusto Shaw foi convencendo seus alunos de que o basquete não era um jogo só de mulheres. Quebrada a resistência, foi montada a primeira equipe de basquetebol do Mackenzie College. Shaw viveu no Brasil até 1914 e teve a chance de acompanhar a difusão do esporte por aqui. Ele faleceu em 1939, nos Estados Unidos.
A aceitação nacional do esporte veio através do professor Oscar Thompson, na Escola Nacional de São Paulo e Henry J. Sims, então diretor de Educação Física da Associação Cristã de Moços (ACM), do Rio de Janeiro. Os primeiros torneios aconteceram no ginásio da Rua da Quitanda nº 47, no Centro do Rio. Henry Simes conseguiu implantar o basquete no América Futebol Clube, primeiro clube carioca a adotar o esporte. Em 1915, as primeiras regras foram traduzidas para o português e, nesse mesmo ano, a ACM realizou o primeiro torneio da América do Sul, com a participação de seis equipes.
Com o sucesso da competição, a Liga Metropolitana de Sports Athléticos, responsável pelos esportes terrestres no Rio, resolveu adotar o esporte com a realização do primeiro campeonato carioca, em 1919. A primeira Seleção Brasileira foi convocada em 1922, na comemoração do primeiro centenário da independência do Brasil, num torneio de dois turnos com Brasil, Argentina e Uruguai. O Brasil sagrou-se campeão. Em 1930 foi realizado o primeiro Sul-Americano e, em 1933, nasceu a Federação Brasileira de Basketball, que, a partir de 1941, passaria a ser chamada de Confederação Brasileira de Basketball.
O Brasil é um dos países mais fortes no basquete em todas as Américas, mas não chega a ser uma potência mundial neste esporte, embora já tenha vivido dias de glória com a conquista de três títulos mundiais: dois no masculino (1959 e 1963) e um no feminino (1994). Em 2006, o Mundial Feminino foi realizado no Brasil e a Austrália foi a grande vencedora. As brasileiras foram eliminadas pelas campeãs na semifinal e perderam a disputa pelo bronze para os Estados Unidos, terminando assim na quarta colocação.
O Mundial Masculino do mesmo ano foi realizado no Japão. O Brasil não passou da primeira fase e terminou numa péssima 17ª posição. Nos Jogos Olímpicos, o Brasil nunca ocupou o lugar mais alto do pódio, mas já faturou uma medalha de prata no feminino, em 1996, em Atlanta, quando foi derrotado pelos Estados Unidos na grande decisão. Já em Jogos Pan-Americanos, a participação brasileira é bem melhor: quatro ouros entre os homens e três entre as mulheres.
Em competições sul-americanas, o domínio brasileiro é amplo: 21 conquistas femininas e 17 masculinas, sendo que os últimos 11 títulos entre as mulheres foram consecutivos. O Brasil possui ainda três pré-olímpicos (dois masculinos e um feminino) e três Copas América (um masculino e dois femininos), competição equivalente ao pré-mundial.
Expectativa para o Pan e as Olimpíadas 2008
A expectativa em relação às seleções brasileiras masculina e feminina de basquete para o Pan é muito boa. Começando pelo fato de jogar em casa, o Brasil conta ainda com o bom retrospecto em competições continentais. A seleção feminina entra como uma das favoritas ao título, tendo em vista a ótima participação no Mundial de 2006. As norte-americanas, provavelmente serão as maiores adversárias. Correm ainda por fora Argentina, Canadá e Cuba.
No masculino, os principais adversários do Brasil deverão ser os sempre favoritos americanos e a Argentina, grande rival que surpreendeu o mundo ao conquistar o ouro nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Porto Rico, terceiro colocado nos últimos dois Pans, também tem chances de fazer uma boa participação nos Jogos de 2007. Como de costume, a comissão técnica brasileira e a Confederação Brasileira esperam que os Jogos Pan-Americanos de 2007 sejam um pontapé inicial para um projeto olímpico mais consistente.
A evolução brasileira nas competições internacionais tem sido visível nos últimos anos e já temos alguns atletas brasileiros atuando pela NBA, que á a principal competição de times do mundo. Por tudo isso, pode-se dizer que o torcedor brasileiro tem grandes chances de ver uma conquista no basquetebol no Pan do Rio.
Janeth
Umas das maiores jogadoras da história do basquete brasileiro e mundial, Janeth dos Santos Arcain é, sem dúvida, candidata a destaque no Pan 2007. A ala de 37 anos, nascida em 11/04/1969, em Carapicuíba-SP, tem um histórico invejável no basquetebol.
Janeth começou a carreira no Higienópolis-SP, depois jogou no Cica/Divino/Jundiaí e no Costecca/Sedox/SP até chegar ao Leite Moça/Sorocaba. A partir daí, a ala aportou nos Estados Unidos, onde disputou a WNBA pelo Houston Comets. Depois Janeth foi para o Santo André e em 2001, jogou pelo Vasco da Gama-RJ. A carreira vitoriosa continuou no São Paulo/Guaru e no Unimed/Ourinhos. Atualmente, Janeth atua pelo Ros Caseras Valencia, da Espanha.
Pelos clubes que passou, a jogadora conquistou 10 títulos brasileiros, 9 regionais, quatro paulistas e um carioca, além do tetracampeonato da WNBA pelo Houston Comets, ganho entre os anos de 1997 e 2000.
Pela Seleção, não podia ser diferente. Janeth foi o destaque do Brasil em várias competições, levando as mulheres do basquete do Brasil a vários triunfos. Seus principais títulos foram o Mundial de 1994, o Pan de 1991, os Sul-Americanos de 1991, 1993 e 1995, a prata nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996 e o bronze nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.