Minotouro troca vale-tudo pelo Pan


O boxe começou a ser praticado no Brasil no início do século XX, trazido por imigrantes ingleses e italianos. São Paulo tornou-se o berço do esporte e em 1913 foi realizada a primeira luta oficial, entre um francês e o brasileiro Luís Sucupira, conhecido como o Apolo Brasileiro. Apesar de perder o combate, Sicupira tornou-se um incentivador do boxe, atraindo novos adeptos e estimulando a formação de treinadores.
Em 1919, o boxe nacional ganhou mais um grande incentivador. O presidente da República Rodrigues Alves, apaixonado pelo esporte, regulamentou a modalidade e as academias começaram a se propagar no país. Em 1922 surgiu o primeiro ídolo: Benedito dos Santos, o Ditão, um peso-pesado que passou a nocautear todos os adversários que apareciam pela frente. Atraindo platéias numerosas, Ditão estimulou uma luta contra o campeão europeu dos pesados, Hermínio Spalla. O combate foi assistido por um grande público, mas no nono assalto Ditão foi a nocaute e deixou o ringue com o um derrame cerebral. Houve comoção em São Paulo e um decreto proibiu o boxe no Estado.
O esporte só viria ressurgir com força em 1933, com a fundação da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) e com o Brasil disputando seu primeiro Sul-Americano. Vieram ídolos com mais consistência, como Kaled Curi, Ralph Zumbano, Luís Ignácio e Paulo de Jesus Cavalheiros. As bases para uma era de ouro do boxe brasileiro estavam semeadas e ela aconteceu nos anos 60, com o surgimento de Éder Jofre, que tornou-se campeão mundial dos galos ao nocautear o mexicano Eloy Sanches em novembro de 60, nos EUA. Jofre abandonou o boxe em 1966, mas voltou três anos depois na categoria dos penas. Em 1973 conquistou seu segundo título mundial e, em 76, pendurou as luvas de vez. Em toda a carreira, Éder Jofre disputou 81 combates (75 vitórias (50 nocautes), 4 empates e 2 derrotas).
Na década seguinte surgiu o peso-pesado de maior sucesso no Brasil até hoje, Adílson "Maguila" Rodrigues. Com Maguila as transmissões de lutas de boxe pela TV alcançaram absoluta liderança de audiência. No auge da carreira, o lutador sergipano estava em segundo lugar no ranking do Conselho Mundial de Boxe e foi nesse momento que ele perdeu as duas lutas mais importantes da sua carreira, já que se as vencesse provavelmente disputaria o título mundial com Mike Tyson. Depois dessas derrotas, Maguila caiu na obscuridade. Após esse fenômeno, veio Acelino "Popó" Freitas, que, em 2002, unificou os títulos da Organização Mundial de Boxe (o qual já detinha desde 1999) e da Associação Mundial de Boxe na categoria superpenas (até 59 quilos) e ajudou a retomada de popularidade do esporte no Brasil. Popó encerrou sua carreira em abril de 2006, aos 31 anos.
Expectativa para o Pan e as Olimpíadas 2008
Após o fiasco brasileiro nos Jogos de Santo Domingo em 2003, o Brasil está mais organizado para o Pan 2007. Desde 2004 a Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) mantém uma seleção permanente com 24 pugilistas; destes 11 vão disputar o torneio do Pan. Sobre o que esperar desta equipe, a referência é a desempenho nos Jogos Sul-Americanos da Argentina, em 2006. O Brasil foi para três finais e conquistou um ouro e duas pratas. No Pan de Santo Domingo, a equipe brasileira conseguiu apenas duas medalhas de bronze, com James Dean, na categoria até 51 kg, e Marcos Costa, na até 64 kg.
O nome brasileiro do momento
O boxe olímpico brasileiro aposta no baiano Rogério Minotouro para os Jogos Pan-Americanos. Lutador de vale tudo, ele migrou para o boxe amador e vem obtendo resultados significativos na categoria acima de 91 quilos. Nos Jogos Sul-Americanos da Argentina, em 2006, conquistou uma medalha de ouro. O lutador foi também campeão brasileiro em 2005.