Boxe

 
 

Ali x Stevenson: a luta do século não ocorreu

A luta física entre os homens existe desde sempre. Há registros históricos de que um tipo de luta disputada com os punhos, que pode ser entendida como a precursora do boxe, tenha feito parte dos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga a partir do ano 688 a.C. Mais tarde, durante o Império Romano, conceitos do pugilismo atual começaram a ser agregados, como concentrar as lutas em tablados, cujo desenvolvimento levaria ao ringue, e o uso de tiras de couro para proteger as mãos durantes as lutas, que originariam as luvas.


Mas foi somente entre os séculos XVIII e XIX, na Inglaterra, que o boxe se transformou na modalidade que conhecemos hoje. Em 1867, o esporte sofreu uma profunda reforma através das chamadas "Regras de Queensberry", e passou ser jogado por rounds e com luvas. Nos Jogos Olímpicos da era moderna, o boxe só foi admitido em 1904, nas Olimpíadas de Saint Louis, nos Estados Unidos.


O boxe olímpico, que é aceito tanto nas Olimpíadas como nos Jogos Pan-Americanos, é disputado somente por atletas de países filiados à Associação Internacional de Boxeadores Amadores. A AIBA atualmente é integrada por 178 nações. Ela foi criada em 1946, para substituir a FIBA (Federação Internacional de Boxe Amador), fundada em 1920, mas que se desagregou durante a II Guerra Mundial.


Antes de prevalecerem as mudanças no pugilismo, a partir das Regras de Queensberry, que entre as principais implantou a adoção de luvas de boxe, um lutador não conseguia realizar mais do que 20 lutas em sua vida. Com o protetor das mãos, um boxeador hoje faz até 200 lutas.


Quando o boxe era praticado sem luvas, o ritmo das lutas era mais lento do que atualmente. Todo soco dado machucava tanto quem desferia quanto quem recebia. Por isso, poucos socos eram aplicados durante a luta. Prevalecia a defesa e os lutadores só usavam os punhos quando achavam que o soco poderia ser aplicado perfeitamente. Grande parte do tempo das lutas, principalmente depois dos primeiros rounds, era gasto com manobras para neutralizar o adversário e tentar derrubá-lo para depois chutá-lo - o boxe tinha semelhanças com o atual vale-tudo.


Na Inglaterra do século XVIII o boxe era uma contravenção. Os puritanos da era Vitoriana não aceitavam as lutas como esporte e isso levou os combates a serem disputados em ringues clandestinos. Mesmo assim, as lutas arrastavam um grande número de adeptos, que apostavam dinheiro. Não foram poucas vezes que duelos foram interrompidos pela polícia. A repressão policial, no entanto, influenciou para que o boxe se tornasse um esporte com regras mais definidas e menos violento. Outro fator que o ajudou a sair da clandestinidade foi a adesão dos nobres ingleses do século XIX, que sob uma nova influência passaram a cultuar o boxe e a patrocinar a construção de academias, ginásios e financiar boxeadores.


O boxe no Pan


O boxe está no programa dos Jogos Pan-Americanos desde a primeira edição do evento, em 1951, em Buenos Aires, na Argentina. O Brasil tem seis medalhas de ouro no esporte na história da competição. Em 1955, na Cidade do México, Luiz Ignácio ganhou a primeira, na categoria até 81 kg; em 1959, em Chicago, nos Estados Unidos, Waldomiro Claudiano, na 54 kg, e Abrão de Souza, na 75 kg, subiram ao lugar mais alto do pódio, enquanto em 1963, em São Paulo, no melhor desempenho do boxe brasileiro, o ouro ficou com Rosemiro Mateus dos Santos (categoria 57 kg), Elcio Neves (71 kg) e Luís César (75 kg). Naquele ano, o pugilismo foi a modalidade que mais ouros assegurou ao país no evento. Além das três douradas, o boxe ganhou ainda cinco de prata e uma de bronze na capital paulista.


No total do Pan, o Brasil ganhou 42 medalhas. Além dos seis ouros, foram 16 pratas e 20 bronzes. Um dos vice-campeonatos foi conquistado por Acelino Freitas, o Popó, em 1995, em Mar del Plata, na Argentina. Ele perdeu a decisão para o cubano Julio Gonzalez.


O grande mito do boxe não profissional do mundo é o cubano Teófilo Stevenson. Ele estreou nos ringues no Pan de 1971, em Cali, na Colômbia, onde foi medalhista de bronze. Nas Olimpíadas de 1972, em Munique, na Alemanha; 1976, em Montreal, no Canadá, e 1980, em Moscou, na antiga União Soviética, tornou-se tricampeão olímpico. Nos Jogos Pan-americanos de 1975, na Cidade do México, de 1979, em San Juan, Porto Rico, e 1983, em Caracas, na Venezuela, também ganhou ouro na categoria peso-pesado. Durante sua brilhante carreira, por várias vezes se recusou a profissionalizar-se. Chegou a dizer não para uma bolsa de US$ 5 milhões. Também nunca quis enfrentar o mito do boxe profissional Muhammad Ali, naquela que poderia ter sido a luta do século XX.


As categorias no boxe amador ou olímpico e no profissional têm diferenças no nome e no peso. Confira:


Amador Mosca ligeiro: até 43 kg Mosca: 51 kg Galo: 54 kg Pena: 57 kg Leve: 60 kg Superleve: 63,5 kg Meio-médio: 67 kg Médio-ligeiro: 71 kg Médio: 75 kg Meio-pesado: 81 kg Pesado: 91 kg Super Pesado: Acima de 91kg


Profissional Palha: até 47,730 kg Mosca júnior: 48,99 kg Mosca: 50,80 kg Supermosca: 52,16 kg Galo: 53,42 kg Supergalo: 55,34 kg Pena: 57,15 kg Superpena: 58,97 kg Leve: 61,23 kg Superleve: 63,50 kg Meio-médio: 66,68 kg Médio-ligeiro: 69,85 kg Médio: 72,57 kg Supermédio: 76,36 kg Meio-pesado: 79,38 kg Cruzador: 86,18 kg Pesado: acima de 86,18 kg