Pessoa e Baloubet vêm aí


Assim como ocorreu em outros países, o Hipismo no Brasil teve origem no meio militar. Entre os anos de 1863 e 1865, o capitão do Exército, Luiz Jácome de Abreu e Souza, funda, no Rio de Janeiro, a Escola de Equitação de São Cristóvão e dá o pontapé inicial para o desenvolvimento do esporte no país.
Até a década de 30 do século passado, no entanto, o esporte é difundido apenas entre militares. Somente a partir da fundação da Sociedade Hípica Brasileira, em 1938, é que civis começam a participar de competições. Três anos depois, surge a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH).
Embora considerado um esporte de elite, o Hipismo expandiu-se para todos os estados brasileiros e passou a ganhar notoriedade, com os bons resultados de cavaleiros brasileiros em competições internacionais.
Na Pan-Americano de 1967, em Winnipeg, no Canadá, acontece um dos primeiros bons resultados do esporte. O cavaleiro Nelson Pessoa Filho conquista a prata individual e a equipe brasileira leva o ouro no salto.
Na Olimpíada, o Brasil começa a se destacar nos anos 90. Em dois Jogos seguidos, em Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996 e em Sydney, na Austrália, em 2000 a equipe brasileira formada André Johannpeter, Luiz Felipe Azevedo, Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, e Rodrigo Pessoa ficou com a medalha de bronze no salto.
O grande feito viria em 2004, nos Jogos de Atenas, quando Rodrigo Pessoa, montando Baloubet du Rouet, terminou em segundo lugar, mas acabou herdando a medalha ouro no salto individual, após a constatação de que o cavalo vencedor, montado pelo irlandês Cian O'Connor, havia usado doping.
Expectativa para o Pan e as Olimpíadas 2008
O Brasil chega ao Pan-Americano de 2007, no Rio, como um dos favoritos para ganhar uma medalha de ouro, tendo como principais adversários os Estados Unidos. O cavaleiro Álvaro Afonso de Miranda Neto, o Doda, alerta que a equipe brasileira terá que ser a mais forte possível, pois os norte-americanos virão com sua força máxima.
Os selecionados só serão conhecidos em 2007, mas desde já se espera a participação de praticamente todos os principais atletas da modalidade. Com isso, o Hipismo brasileiro tentará se recuperar da fraca atuação no Pan de Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003, quando ficou apenas com a medalha de bronze, no salto por equipes.
Uma das boas razões para o otimismo é a presença certa de Rodrigo Pessoa. No Rio, o campeão olímpico de 2004, espera refazer o conjunto com o cavalo Baloubet du Rouet, com o qual conquistou a medalha de ouro em Atenas. Machucado, o animal esteve fora de competições nos últimos meses, mas deve se recuperar até a abertura dos Jogos.
O surgimento de algumas revelações renova as expectativas de que o Brasil possa brigar por medalhas também nas Olimpíadas de Pequim, na China, em 2008. Entre ginetes novatos, os que chamam mais atenção são Eric Zorzeto e José Luiz Guimarães, que chegaram a vencer Rodrigo Pessoa recentemente.
O craque do Hipismo brasileiro
Quando se fala em hipismo brasileiro, o nome de Rodrigo Pessoa é uma unanimidade. A história recente do esporte no país está praticamente associada a este cavaleiro que, ironicamente, nasceu em Paris, na França, e vive na Bélgica.
Medalha de ouro na Olimpíada de Atenas, em 2004, tricampeão da Copa do Mundo, em 1998, 99 e 2000; campeão mundial em 1998, Pessoa é o maior vencedor da história do hipismo nacional. Seu talento foi herdado do pai. Nelson Pessoa, que também marcou época no esporte do país.
Pessoa estreou numa Olimpíada em Barcelona, na Espanha, em 1992, aos 19 anos. Nos Jogos de Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996, e Sydney, na Austrália, em 2000, ganhou destaque ao conquistar medalhas de bronze, no salto por equipe.
O ouro conquistado em Atenas compensou a frustração dos Jogos de Sydney, quando o cavalo Baloubet de Rouet refugou o salto na final, causou a desclassificação do conjunto, e jogou por terra o sonho da medalha.
Aos 33 anos, Rodrigo Pessoa já fala claramente em se aposentar. Isto não deve acontecer antes da Olimpíada de Pequim, em 2008, quando ele tentará trazer um novo ouro para o Brasil.