Luta

 
 

O melhor lutador brasileiro vive de bicos

A lutas olímpica chegou no Brasil nos anos 40, mas só ganhou um número razoável de praticantes no país a partir da década de 70, devido à vinda do técnico mexicano Manuel de Andrade. Em 1979, o professor Roberto Leitão fundou a Federação de Lutas do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente, é a Confederação Brasileira de Lutas Associadas que organiza a atividade no Brasil.


Nos Jogos Sul-Americanos de 2006, na Argentina, o Brasil terminou sua participação com nove medalhas, sendo uma de ouro – com a lutadora Rosângela Conceição -, duas de prata e seis de bronze.


A participação brasileira em Olimpíadas, no entanto, é muito tímida. Apenas um atleta representou o país nos Jogos de Atenas, na Grécia, em 2004: Antoine Jaoude (prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003 na categoria até 96kg), na luta livre, que perdeu as duas lutas que fez, para o bicampeão mundial, Eldar Kurtanidze, da Geórgia, e para o iraniano Alireza Heidari.


O Brasil não participava de uma competição de luta em Olimpíadas há 12 anos. A participação de Jaoude durou apenas quatro minutos e 10 segundos, visto que foi derrotado em lutas de um 1min49s e de 2min21s.


A simples ida de Antonie Jaoude à Atenas pode ser considerada uma vitória. Ele não conseguiu a classificação para Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996, e Sydney, Austrália, em 2000, por apenas um ponto e foi eliminado ao cair em uma chave muito difícil.


Expectativa para o Pan e as Olimpíadas 2008


Apesar do histórico modesto do Brasil em Olimpíadas, a aposta da Confederação Brasileira de Lutas é que o Brasil dê um salto enorme na luta olímpica até os Jogos de Pequim, na China, em 2008, usando o Pan de 2007 como trampolim.


Um dos fatores que deu popularidade à luta livre foi a participação do pentacampeão brasileiro Marcelo Zulu no realitty show “Big Brother Brasil”, da Rede Globo, em 2004. O atleta preferiu a celebridade instantânea a tentar uma vaga em Atenas, mas diz que a fama vai ajudá-lo na preparação para 2007 e 2008.


O mesmo ocorre com Antoine Jaoude, único brasileiro classificado para Atenas, que já trocou diversas vezes o esporte olímpico pelos flashes e os dólares do vale-tudo. A primeira reviravolta no esporte foi em 2002, com o dinheiro da Lei Piva, que destina 2% da arrecadação com loterias federais para os desportos olímpicos.


Não são apenas boas intenções e esperanças que movem o sonho olímpico da luta livre e greco-romana brasileira. Criou-se uma equipe olímpica permanente, em constante treinamento, em que cada atleta recebe uma verba mensal do COB de R$ 500. Além disso, foram criadas escolas de luta junto às 14 federações existentes, que formam futuros atletas desde a saída da infância.


Um programa de intercâmbio com técnicos e lutadores da Bulgária foi montado para trazer ao Brasil a experiência de um país que tem uma tradição secular na luta olímpica.


A luta não é nem nunca foi um esporte tradicional no Brasil. Não passam de mil os atletas confederados no país e as conquistas mais expressivas que o país obteve foram torneios sul-americanos e três medalhas de prata em Jogos Pan-americanos. Aqueles que praticam e movimentam o esporte no país, no entanto, estão tentando mudar este quadro, a começar pelo Pan 2007.


O melhor lutador brasileiro


O carioca Antonie Jaoude, de 30 anos, é, sem sombra de dúvida, o maior nome da luta olímpica brasileira.


Ele e seu treinador Roberto Leitão estão juntos desde o início de sua carreira.


Sem patrocínio, o atleta já fez bicos em diversas áreas como intérprete e guia turístico, além de ter participado de competições de vale-tudo.