Natação é sinônimo de medalha no Brasil


A natação já era praticada em diversos estados do Brasil, no século XIX, mas ganhou o status de esporte no ano de 1898, quando o Clube de Natação e Regatas, do Rio de Janeiro, organizou a primeira competição da história no país. Atletas vindos de vários estados participaram de uma prova no mar, percorrendo 1.500 metros entre a Fortaleza de Villegaignon e a praia de Santa Luzia.
Até 1919, as provas continuaram sendo disputadas em locais abertos. Só neste ano, no Rio e em São Paulo, surgiram as primeiras piscinas, numa época na qual os desportos aquáticos brasileiros estavam sob o comando da Confederação Brasileira de Desportos (CBD).
A estréia da Natação nacional numa Olimpíada ocorreu em 1920, nos Jogos de Antuérpia, na Bélgica. E atleta a se destacar foi uma mulher, Maria Lenk, a primeira sul-americana a participar dos Jogos Olímpicos, em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 1932. Foi também a primeira recordista mundial pelo Brasil, em 1939, nos 200m e nos 400m peito.
Tetsuo Okamoto - que já havia conquistado duas medalhas de ouro, no Pan de Buenos Aires, em 1951, foi o primeiro nadador brasileiro a ganhar uma medalha olímpica. Em 1952, nos Jogos de Helsinque, na Finlândia, ele ficou com o bronze, nos 1.500m livres.
A Natação masculina brasileira tem alguma tradição de bater recordes mundiais. Começou com Manuel dos Santos, em 1961, nos 100m livre, com o tempo de 53s6 e repetiu-se em 1968, quando José Sylvio Fiolo quebrou o recorde dos 100m peito, com 1min06s04.
Na década de 80 surgiram ótimos nadadores brasileiros, entre eles Djan Madruga e Ricardo Prado, este recordista mundial dos 400m medley, em 1982. Gustavo Borges apareceu como um dos grandes nomes dos anos 90, quando ganhou uma medalha de prata, na Olimpíada de Barcelona, na Espanha, em 1992. Com uma prata e um bronze em Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996 e o bronze arrebatado no revezamento 4x100m, em Sydney, na Austrália, na 2000, tornou-se o único brasileiro a conquistar quatro medalhas olímpicas.
Em 2004, nos Jogos de Atenas, na Grécia, a equipe brasileira não conquistou medalha alguma e terminou apenas em 21.º lugar. Em compensação, viu surgir uma nova geração feminina, que eclipsou o desempenho dos homens. Os destaques foram Joanna Maranhão e Flávia Delaroli, que chegaram, respectivamente, às finais dos 400m medley e 50m livre. Para completar, a equipe feminina participou da final do revezamento 4x100m livre.
Expectativa para o Pan em 2007 e os Jogos Olímpicos de 2008
O Brasil chegará ao Pan-Americano do Rio Janeiro com uma equipe em processo de renovação. A partir de 2004, com o ocaso das carreiras de Gustavo Borges, Fernando Scherer e Rogério Romero, a Natação brasileira passou a depositar suas esperanças numa nova geração.
Pela primeira vez, em muitos anos, a expectativa recai mais sobre as mulheres, devido à boa campanha na Olimpíada de Atenas, em 2004. Nomes como Joanna Maranhão e Flávia Delaroli, finalistas na Grécia, surgem como esperanças de medalhas no Pan. Thiago Pereira e Gabriel Mangabeira, também finalistas em Atenas, são outras boas apostas.
Ninguém arrisca, porém, afirmar que a equipe possa repetir a campanha dos Jogos de Santo Domingo, em 2003, quando conseguiu o melhor desempenho da história da Natação brasileira no Pan, com 21 medalhas, três de ouro, seis de prata e 12 de bronze.
A definição da equipe brasileira só ocorrerá em maio de 2007, após o Troféu Brasil, a última etapa das nove seletivas.
Os craques da natação brasileira
Joanna Maranhão e Thiago Pereira são duas das maiores revelações da natação brasileira dos últimos anos. Aos 17 anos, Joanna colocou novamente a natação feminina do país no mapa. Nos Jogos de Atenas em 2004, a nadadora chegou a duas finais, ficando em quinto lugar na prova dos 400m medley. Um feito que não acontecia há 56 anos. Na Grécia, Joanna também foi finalista dos 4x200 livre e quebrou cinco recordes: dois brasileiros e três sul-americanos. Desde já é uma grande esperança de medalha nas Olimpíadas de Pequim, na China, em 2008.
Thiago Pereira chegou à Olimpíada de Atenas debaixo de grande expectativa. Depois de conquistar o título mundial nos 200m medley, em piscina curta, ele passou a ser considerado a principal revelação da nova geração de nadadores brasileiros. Foi finalista nos 200m medley na Grécia e acabou em quinto lugar. Talentoso, Thiago ainda deve evoluir bastante e é umas principais apostas para o Rio-2007 e para a Olimpíada de Pequim.