Patinação artística

 
 

País tem um jovem talento

No Brasil, no início de 1900, a patinação era uma atividade exclusivamente recreativa, trazida da Europa pelos filhos de famílias ricas que lá concluíam seus estudos. Tornou-se então um modismo a prática da patinação em rinques e parques, principalmente em São Paulo, que naquela época serviam de ponto de encontro para a alta sociedade.


Os rinques de patinação, de acordo com o modismo da época, passaram a promover os chamados "concursos de patinação", nos quais o patinador se apresentava para o público presente, que ao término das apresentações colocava seu voto numa urna, levando-se em consideração a patinação, naturalidade, elegância e perfeição do melhor patinador (a).


Segundo relatos, destacou-se nessa fase inicial, um patinador chamado Antônio Marques, que teria ganhado todos os concursos de que participou. Em meados de 1916, surgiu nos rinques José Erotides Marcondes Machado. "Tidoca", como era conhecido, foi o primeiro brasileiro a participar de um concurso de patinação artística no exterior, mais precisamente, na França. Em 1920, ele se sagraria campeão brasileiro invicto.


De 1936 a 1943, a patinação artística estagnou até a criação de alguns novos rinques, com destaque para o Rinque Boa Vista, em São Paulo, que viria a receber os maiores patinadores brasileiros como Tidoca Marcondes Machado e Julieta Meira Braga (campeões brasileiros na categoria clássicos), Otavio Orlandi e sua neta Lourdes Alvarenga (na categoria ritmo), Glauco Giannesi e Branca Banhos (na categoria perfeição), Casimiro Valinhos, chamado de grande saltador (na categoria arrojo), Alvaro de Oliveira Desiderio e Fanny Stefan (na categoria elegância), Rafael Bologna (na categoria classe), e Antonio Requena Neto e Ligia Perissinoto, considerada a melhor dupla brasileira da época na categoria Harmonia. Enquanto continuavam os concursos em rinques, a patinação iniciou uma nova fase, passando a ser praticada também em clubes. Aproveitando a vinda do espetáculo sobre rodas Skating Vanities, na década de 50, estes começaram a organizar shows. Esta fase perdurou até a década de 70. A partir daí a Patinação Artística tornou-se competitiva e poucos shows continuaram a existir.


Nos dias 7 e 8 de maio de 1975 foi realizado o I Campeonato Brasileiro de Patinação Artística no Clube Militar do Rio de Janeiro. Desde então, a Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação tem realizado regularmente campeonatos brasileiros e participado de todos os campeonatos sul-americanos, pan-americanos e mundiais.


Expectativa para o Pan


As expectativas da patinação artística brasileira para os Jogos Pan-Americanos giram em torno do atleta Marcel Sturmer, medalha de ouro em Santo Domingo. Naquela ocasião, Marcel estava com apenas 18 anos de idade, e a comissão técnica acredita que o patinador adquiriu experiência nestes quatro anos.


A patinadora Mayra Ramos também teve um papel importante no Pan-2003, levando o bronze, ficando atrás apenas da americana Heather Munckey e da argentina Melissa Linsalata. As apresentações de Mayra em Santo Domingo foram tão boas que ela foi a única patinadora a receber aplausos de pé do público.


Para o Pan do Rio de Janeiro, haverá uma seletiva em 2007 para definir quais patinadores irão representar o Brasil. Depois disso, os atletas selecionados entrarão em uma etapa de preparação.


Principal atleta brasileiro


Medalhista de ouro em Santo Domingo-2003, Marcel Sturmer é uma das maiores esperanças de conquistas da patinação artística brasileira. Gaúcho de 22 anos, Marcel foi o ganhador do prêmio Brasil Olímpico, entregue ao melhor atleta de cada uma das 45 modalidades olímpicas e pan-americanas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB).


Campeão brasileiro por dez vezes, Marcel recebeu sondagens de europeus logo depois da conquista do Pan de 2003. O atleta foi assediado por dois empresários, que representam centros de treinamento para lapidar talentos na modalidade e que estiveram em Santo Domingo para assistir ao Pan-Americano.