Brasil cria fenômenos, mas esporte não é popular


Trazido pelas mãos dos colonizadores ingleses, que chegaram no Brasil no final do século XIX, o tênis começou no país como um esporte restrito aos clubes da elite de Rio de Janeiro e São Paulo. O primeiro grande tenista brasileiro despontou nos anos 20. Foi Nelson Cruz, que, em 1932, ao lado de Ricardo Pernambucano, levou o Brasil a participar pela primeira vez da Copa Davis, o principal torneio entre nações da modalidade. Ainda nos anos 30, em 1938, Alcides Procópio fez o país estrear no Torneio de Wimbledon.
Por conta do pioneirismo destes tenistas, o esporte ganhou adeptos nos anos 40 e 50 e em 1955 foi criada a Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Com a organização e a adesão das mulheres, o Brasil viu nascer no final dos anos 50 o fenômeno Maria Esther Bueno. Ela foi tricampeã em Wimbledon (1959, 60, e 64) e tetracampeã do US Open (1959, 63, 64 e 66). Também foi número um do mundo em 1959, 1960, 1964 e 1966, acumulando 589 títulos em sua carreira.
Passados 40 anos do surgimento do Maria Esther Bueno, o Brasil viu nascer outro fenômeno: o catarinense Gustavo Kuerten. Em 1997, ele venceu Roland Garros e chamou a atenção do mundo. Guga conquistaria o torneio do Grand Slam também em 2000 e 2001, chegando a ser o número um da ATP.
Porém, apesar de Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten, o tênis ainda é um esporte longe de ser popular no Brasil.
O retrospecto do Brasil nos Jogos Pan-Americanos contabiliza 22 medalhas em 14 edições. Foram 11 de ouro, quatro de prata e sete de bronze. O melhor desempenho do país no Pan foi em 1963, em São Paulo. Foram três de ouro, duas de prata e uma de bronze, consagrando duas estrelas do tênis brasileiro: Maria Esther Bueno e Thomaz Koch. Outro momento marcante aconteceu no Pan de Santo Domingo, há quatro anos, quando Fernando Meligeni despediu-se das quadras com uma medalha de ouro no torneio de simples. O pior desempenho foi no Pan de 1995, em Mar de Plata, na Argentina, quando o país não conseguiu medalha.
Expectativa para o Pan e as Olimpíadas 2008
O Brasil tende a disputar o Pan com seus melhores tenistas na atualidade. Se isso se confirmar, há a expectativa de que a modalidade possa superar o recorde de medalhas dos Jogos de 1963, quando Maria Esther Bueno e Thomas Kock ganharam duas das três medalhas de ouro do país. Outra dúvida é saber se Gustavo Kuerten pretende competir. Caso ele confirme participação, e esteja em boas condições físicas, a equipe brasileira ganhará um reforço e tanto.
O nome brasileiro do momento
No ranking de entradas da ATP, o brasileiro mais bem classificado hoje é o paulista Thiago Alves, que ocupa a 105.ª colocação. O tenista pretende em 2007 disputar torneios da ATP. Com isso, fica a dúvida se haverá uma vaga em seu calendário para encaixar uma eventual participação no Pan 2007.
O grande nome da modalidade no país, no entanto, continua sendo Gustavo Kuerten, que tenta se recuperar de cirurgias no quadril, problema que o incomoda desde 2001, quando era líder do ranking mundial. Guga conquistou 20 títulos de simples, entre eles três Roland Garros, e mais oito de duplas. É ao lado do chileno Marcelo Rios, o único sul-americano a ter se colocado como “melhor do mundo”, posto que conseguiu ao conquistar a Masters Cup, em Lisboa, Portugal, no final de 2000. Na ocasião, o catarinense superou os americanos Pete Sampras e André Agassi para ficar com o cobiçado troféu.
Entre as meninas, o Brasil não vive um bom momento. Nossa melhor colocada no ranking é a paulista Jenifer Widjaja, de 20 anos, atual número 231 da Associação das Tenistas Profissionais (WTA). Larissa Carvalho, em 241º, e Maria Fernanda Alves, em 255º, são as outras tenistas do país entre as 300 melhores do mundo.