Vela

 
 

Brazucas dominam a América

Apesar da vela não ser um esporte de grande popularidade no Brasil, como o futebol e o vôlei, pode-se dizer que o país é uma das maiores potências nesta modalidade, visto os últimos resultados. Desde sua chegada ao país, quando Armando Leite fundou o Iate Clube Brasileiro, no Rio de Janeiro, em 1906, nossas equipes, em campeonatos internacionais, Olimpíadas e Jogos Pan-Americanos, têm sido de um alto nível técnico, com inúmeros títulos conquistados.


Após a década de 60, os velejadores brasileiros conseguiram os melhores resultados olímpicos e pan-americanos, ganhando medalhas e enorme respeito de nações com maior tradição. O impulso definitivo se deu nos anos 70 com o tricampeonato mundial conquistado pelo paulista Jorge Bruder.


No Brasil, a Vela é o primeiro esporte em número de conquistas olímpicas: 14 medalhas em Olimpíadas (seis de ouro, duas de prata e seis de bronze); 55 medalhas em Pan-Americanos (24 de ouro, 20 de prata e 11 de bronze) e 77 medalhas em Campeonatos Mundiais (64 de ouro, nove de prata e quatro de bronze).


Expectativa para o Pan e as Olimpíadas de 2008


A expectativa em torno do desempenho dos velejadores brasileiros em 2007 é muito boa. Começando pela Classe Laser, que foi representada nas últimas edições pelo recordista Robert Scheidt, nada mais nada menos do que heptacampeão mundial, bicampeão olímpico e tricampeão pan-americano de sua Classe.


Na Snipe, o Brasil tentará repetir o ouro conquistado pela dupla Bruno Bethlen e Dante Bianchi, em Santo Domingo, em 2003. Caso conquiste o titulo deste ano, a Vela brasileira estará sendo campeã nesta Classe pela sexta vez.


Assim como na Snipe, os competidores da J-24 também buscarão o bicampeonato. Em 2003, o Brasil sagrou-se campeão nesta Classe com os velejadores João Carlos Jordão, Mauricio Santa Cruz, Daniel Santiago e Alan Adler.


Na Hobbie Cat 16, o Brasil não foi bem no último Pan e não ganhou nenhuma medalha. A esperança é apagar a má impressão e tentar um ouro inédito. Em 1999, em Winnipeg, no Canadá, o Brasil foi prata com Patrícia Kirschner e Cláudio Cardoso.


Uma das maiores ausências deste Pan, sem dúvida, será a do velejador Torben Gral, que forma dupla com Marcelo Ferreira na Classe Star, que não está incluída nestes Jogos. Torben, individualmente, é o maior medalhista da história do esporte brasileiro em Olimpíadas. Além dos ouros em Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996, e Atenas, na Grécia, em 2004, foi bronze na Star em Seul, na Coréia do Sul, em 1988 e Sydney, na Austrália, em 2000, e prata na classe Sailing em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 1984.


O maior velejador brasileiro de todos os tempos


Considerado o melhor velejador brasileiro de todos os tempos, pode-se dizer que Robert Scheidt é o homem a ser batido pelos adversários no Pan-Americano de 2007. O velejador de 34 anos, natural de São Paulo, atua na Classe Laser e detém vários recordes no mundo da vela.


Eleito duas vezes o melhor velejador do mundo pela ISAF, Robert é heptacampeão mundial, bicampeão olímpico (Atlanta-1996 e Atenas-2004) e tricampeão pan-americano (95, 99 e 2003), além de ser dez vezes campeão brasileiro.


O atleta se iniciou no esporte na Escola Infantil do Esporte Clube Banespa por influência do pai. Velejava e participava de torneios de tênis. Acabou optando pela vela. Com apoio de Dudu Melchert, seu técnico, progrediu rapidamente, vencendo diversas competições.


A partir daí, sagrou-se campeão sul-americano da Classe Optimist, em Algarrobo, no Chile, com apenas 11 anos de idade. Venceu novamente no ano seguinte e foi convocado para representar o Brasil no Mundial de Optimist em Rosas, na Espanha. Era a consagração no esporte da vela.


Em 2005, Scheidt surpreendeu a todos e passou a disputar competições também na Classe Star, fazendo dupla com Bruno Prada. No último Mundial da Star, Scheidt e Bruno Prada conquistaram o vice-campeonato. Para as Olimpíadas de 2008, Robert Scheidt já se decidiu: vai abandonar a Laser e disputar o Pré-Olímpico pela Star. Segundo o velejador, o que pesou na escolha foi o fato de ter encontrado um parceiro dedicado que busca ganhar na Star tudo que Scheidt já ganhou na Laser. A escolha pela Star marca o acirramento da rivalidade com Torben Grael, recordista de medalhas olímpicas e maior velejador brasileiro até o momento na Classe. No Pan, no entanto, não serão realizadas provas na Star.